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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minhas impressões: Banksy – Guerra e Spray


  "Não dá para superar esse sentimento "

A leitura de imagens sempre me agradou; não tenho conhecimentos teóricos sobre arte pictórica, mas acredito que a experiência estética vai muito além de qualquer teoria. Poder olhar para uma imagem e perceber as diversas sensações, significações e rumos que ela pode tomar e nos proporcionar , fascina-me.
Confesso que as leituras mais formais como cores, formas etc; ou ainda temática, é o que menos importa para mim. O que me encanta é a relação que posso ter com a obra, as minhas reações, o que a obra me faz sentir; a relação com o meu mundo, com minhas experiências, com minhas conexões. E nessa leitura, a pessoal, que indico, o livro “BANKSY – GUERRA E SPRAY”.
O livro foi publicado, aqui no Brasil, pela editora Intrínseca, em 2012.  Sabemos que os livros de arte são praticamente inacessíveis; as publicações são apreciadas por um pequeno grupo, como: estudante de arte e professores; artistas; bibliófilos, ou seja, um grupo reduzido. Os preços são exorbitantes, afastando alguns leitores. Acredito que a editora Intrínseca teve como objetivo introduzir o público a obra de Banksy, proporcionando a oportunidade de termos um livro riquíssimo e acessível.

FICHA TÉCNICA
  • ISBN: 978-85-8057-258-2
  • Tradução: Rogério Durst
  • Lançamento: 2012-10-20
  • Páginas: 240
  • Formato: 21 x 26
  • Gênero: Séries

Sinopse: Ninguém sabe quem é Banksy, o artista do estêncil e do spray que tem deixado a marca de sua irreverência em paredes de cidades do mundo inteiro, de Londres à Palestina. Sabe-se apenas que teria nascido em Bristol, no sul da Inglaterra, onde iniciou suas atividades. A obra de Banksy, porém, é inconfundível: ratos de guarda-chuva, macacos ameaçando dominar o mundo, inusitados sinais de trânsito e comentários mordazes sobre a sociedade contemporânea, o consumismo, as guerras e o conformismo. Sua arte em grafite ganhou fãs em toda parte, é amplamente reproduzida pela internet e já foi vendida por mais de 50 mil libras em leilões. Guerra e spray reúne o melhor de seus trabalhos e expõe alguns de seus pensamentos nas palavras do próprio Banksy. Além das obras criadas para as ruas, o livro inclui também intervenções que o artista fez em locais privados, como museus de Nova York e o zoológico de Barcelona.

Minhas impressões: Dos muros para o papel.
O grafite é uma manifestação artística. Com sua linguagem de protesto e de resistência tornou-se universal.  Conquistou diversos espaços: Dos muros para os livros; da roda de grafiteiros para a roda acadêmica, do preconceito para aceitação e respeito. Em Banksy – Guerra e Spray nos deparamos com uma variedade de imagens que revelam-se como personagens marcantes, associadas a críticas inesquecíveis.
Nos grafites e performances do artista tudo adquire alma, e é registrado de forma singular: o cenário urbano ou rural; os museus ou zoológicos; os macacos e os ratos ... Tudo possui uma alma questionadora e nos provoca. Banksy imprime em sua obra um toque inconfundível. Temos 240 páginas entre imagens e textos singulares.
Segundo Banksy, ao contrário do que dizem por aí, o grafite não é a mais baixa forma de arte. Grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de arte disponíveis. Não existe estilismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso. Para o artista, quem desfigura nossos bairros são as empresas que rabiscam slogans gigantes em prédios e ônibus tentando fazer que nos sintamos inadequados se não comprarmos seus produtos. Essas empresas acreditam ter o direito de gritar sua mensagem na cara de todo o mundo, sem que ninguém tenha o direito de resposta. O artista finaliza o texto, dizendo que as empresas começaram a briga e a parede é a arma escolhida para revidar.
O artista é bem irônico e sarcástico; há muitas críticas ácidas no livro, mas citarei três que aprecio bastante, e que se repetem . A primeira é contra policias e seu autoritarismo. Segundo o artista, Policiais e seguranças usam quepes com abas sobre os olhos por motivos psicológicos. Aparentemente, sobrancelhas são muito expressivas e cobri-las torna sua aparência mais autoritária. Em compensação, é mais difícil para os agentes da lei perceber qualquer coisa que aconteça a mais de dois metros acima do solo, o que torna bem mais fácil grafitar telhados e pontes.
A segunda são pinturas vandalizadas. Numa série de obras conhecidas, Banksy brinca com releituras.
“Se você quer sobreviver como grafiteiro num ambiente fechado, me parece que sua única opção é pintar sobre coisas que não lhe pertençam”.

Na releitura de Girassóis, Van gogh, temos “Girassóis do posto de gasolina”. 
Já em Le pont de Giverny, Claude Monet, temos “Me mostre o monet”.
A terceira crítica que me toca é a da fome, pobreza e capitalismo. Em “Burger King”, por exemplo, temos uma criança com a coroa da rede fast-food com um prato de comida vazio.

 Outra obra polêmica, nessa temática, é a montagem com a foto de Kim Phuc, nessa a criança está de mãos dadas a Mickey e Ronald Mc Donalds. Poderia ficar horas citando as imagens do livro, mas convido-os a terem a sua experiência com Bansky.


Renata Ferreira

sexta-feira, 14 de março de 2014

Antologia da Literatura Fantástica




     Para os que curtem a literatura do medo: Literatura Fantástica. Fica a dica: Antologia da Literatura Fantástica. Estou muito feliz com a aquisição. O livro é lindíssimo, a COSACNAIFY caprichou!! Vontade de devorar, "um comer com os olhos".


" Antigas como o medo, as ficções fantásticas são anteriores às letras.As assombrações povoam todas as literaturas: estão no Avesta, na Bíblia, no Livro das mil e uma noites. Talvez os primeiros especialistas no gênero tenham sido os chineses".


     Assim começa o prólogo, escrito por Adolfo Brioy Casares. Bem escrito, sintetiza a história, algumas técnicas e elementos da narrativa fantástica, como por exemplo: o ambiente e atmosfera; a surpresa; "o quarto amarelo" e o Perigo amarelo; argumentos em que aparecem fantasmas; viagens no tempo; dentre outros.



O livro foi organizado por Casares, Jorge luis Borges e Silvina Ocampo.

"Numa noite de 1937, ao conversar sobre ficções fantásticas, três amigos – Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo – resolveram criar uma antologia com seus autores preferidos. Três anos depois, foi lançada a Antologia da literatura fantástica, consolidada em sua edição definitiva 25 anos depois, obtendo enorme sucesso não só de estima como de público. Do filósofo Martin Buber ao explorador Richard Burton, passando pela tradição dos contos orientais, além de Cortázar, Kafka, Cocteau, Joyce, Wells e Rabelais, são 75 histórias – não só contos, como fragmentos de romance e peças de teatro - que nos apresentam uma literatura marcada pelo imaginário e por um modo diferente de representar a realidade".