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domingo, 19 de julho de 2015

Semanário da Sétima Arte

Wild” , Woody Allen – Um Documentário”, “Coco Avant Chanel”, “Yves Saint-Laurent” e “Candy”.


Salut!
Esse semestre resolvi fazer um pequeno catálogo de filmes que assisti. Adoro guardar ingressos de cinema ou anotar os nomes de filmes que vi em casa, mas sempre os perco. Assim, usarei o espaço do blog para registrar semanalmente os filmes, suas respectivas sinopses, um singelo comentário e o trailer. Quando houver tempo, uma resenha.
Voilà!

Wild
Sinopse:  Após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de heroína, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico.

Impressões: Esse filme, dirigido por Jean-Marc Vallée,  me fez recordar  outro inesquecível “A natureza selvagem”. Ambos são filmes biográficos e dramáticos.
Em  “A natureza selvagem”, Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca, e não volta mais.
Em “Wild”, temos um filme baseado na vida de Cheryl Strayed , interpretada por Reese Witherspoon , uma  mulher que decidiu fazer uma trilha 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico, que inclui toda a costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá, conhecida como "Pacific Crest Trail". Cheryl não tinha nenhuma pratica com trilhas ou esporte, mas tomou essa decisão após sua vida mudar drasticamente.
Com a morte da mãe, Cherly fica depressiva e passa consumir drogas pesadas; trai o marido com diversos homens e não aguenta quando ele pede o divórcio. Com a necessidade de liberta-se dessa fase que quase a levou à morte, e em busca de autoconhecimento,  a mulher se aventura numa longa caminhada cuja companhia é seus pensamentos, seus tristes pensamentos. “Wild” é baseado no livro "Livre - A jornada de uma mulher em busca do recomeço". O que mais me chamou atenção no filme foram os flashes memorialísticos de Cherly , que vêm à tona durante toda a caminhada. Uma vida marcada por traumas desde a infãncia, quando seu pai, um alcoólatra, agredia a mãe e abandonou a família. 
Duração: 1h56min


Woody Allen – Um Documentário
Sinopse: documentário sobre Woody Allen aborda vários momentos da carreira do cineasta e conta com depoimentos de importantes nomes da sétima arte. Antonio Banderas, Josh Brolin, Penélope Cruz, John Cusack, Larry David e Scarlett Johansson são alguns dos nomes que dão entrevistas falando sobre Allen.
Impressões: Adorei o documentário dirigido por Robert B. Weide.  Apesar de gostar muito dos filmes do Woody e dos diálogos, que considero geniais, não conhecia a biografia. Há diversos momentos da carreira dele que descobri vendo o documentário biográfico. O cara é de fato surpreendente e admirável. O filme foi lançado neste mês (julho), mas foi exibido no Festival de Cannes 2012 (ano de produção). Assisti no Cine Estação (Botafogo). Duração: 1h53min.



Coco Avant Chanel
Sinopse: Quando criança Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne (Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e adereços exagerados típicos da época.
Impressões:  O filme narra a história da Gabrielle Bonheur Chanel, antes de se tornar a grande estilista, conhecida como Coco Chanel.  Audrey Tautou, uma das minhas atrizes preferidas, interpreta Chanel na fase adulta. A produção é boa, mas eu esperava mais. O filme é de 2009 e tem 110 minutos. Para quem curte o mundo da moda e a biografia de grandes estilistas é uma boa dica. 


Yves Saint-Laurent

Sinopse: Paris, 1957. Com apenas 21 anos, Yves Saint-Laurent (Pierre Niney) é chamado para cuidar do futuro da prestigiosa grife de alta costura fundada por Christian Dior - falecido recentemente. Depois de seu primeiro desfile triunfal, ele vai conhecer Pierre Bergé (Guillaume Gallienne) e este encontro irá abalar sua vida. Amantes e parceiros de trabalho, os dois se associam a fim de criar a grife Yves Saint Laurent. Apesar de suas obsessões e demônios interiores, Saint Laurent vai revolucionar o mundo da moda com sua abordagem moderna.
Impressões: Gostei do filme e adorei o ator que interpreta o Yves Saint-Laurent, Pierre Niney . O longa não seria bom sem a excelente atuação e entrega de Niney.
Assim como o Coco avant Chanel, o filme biográfico é bem interessante para os amantes da moda e interessados pela vida e trajetória de estilistas famosos. Yves era muito jovem quando deixou seu país ( Argélia) para se dedicar à Moda em Paris. Com a morte de Dior, assumiu a grife,  mesmo com toda a sua timidez e dificuldade de se expressar. Em “Yves Saint-Laurent” temos a síntese da vida do estilista , pouco fala-se na obra.  O filme narra um Laurent extremamente perfeccionista e depressivo; um homem que abusava das drogas para fugir da realidade ou para liberta-se de um passado e pessoas que o oprimiam. O longa também conta a história de amor vivida por Yves e seu marido Pierre Bergé, que no filme é interpetado por Guillaume Gallienne.



Candy

Sinopse: Candy (Abbie Cornish) é uma jovem e talentosa pintora, enquanto que Dan (Heath Ledger) é um promissor poeta. Eles se apaixonam assim que se conhecem, divindo também a dependência por heroína. De início Candy e Dan sentem viver no paraíso, mas a falta de dinheiro faz com que eles retornem à realidade. Candy torna-se prostituta, com o consentimento de Dan. Para afirmar sua união eles decidem se casar, mas a dependência das drogas afeta cada vez mais sua felicidade. Até que Candy, cansada de viver no caos, decide se internar em uma clínica de reabilitação e largar de vez as drogas. Só que ela não esperava a reação que sua atitude provocaria em Dan.
Impressões: O filme australiano dirigido por Neil Armfield é um romance dramático. Confesso que vi pelo maravilhoso Heath Ledger e não pela sinopse ou trailer. A história não nos apresenta nada de novo sobre ou universo dos dependentes químicos. Em síntese, fazem de tudo para conseguir comprar drogas: de venda de objetos à prostituição.
Temos dois artistas, ou seja, duas pessoas sensíveis que desejam mas não conseguiram viver da arte.  Na verdade, o vício anula a vontade de tentar. Uma pintora e um poeta presos numa vida caótica e de perdas. Ambos têm problemas com os pais, mas o filme não explora muito o universo familiar deles, principalmente o de Dan. Senti que faltou essa informação no longa. Ótimas atuações. Abbie Cornish foi muito melhor no papel de dependente químico que Heath Ledger.


Um beijo
Renata Ferreira



sábado, 13 de junho de 2015

Leonid Afremov: cores alegres e vivas que não deveríamos esquecer


Encantada. Essa palavra me define diante das obras de Leonid Afremov. As cores alegres e vivas usadas pelo artista denotam a poesia e paixão que me esforço para ver e viver diariamente.
 A poesia e as cores esquecidas pelos olhares sombrios de toda gente ainda estão por toda parte. Não, não é mera experiência estética, ainda é possível experimentar o mundo que os artistas veem e se inspiram.
Sejamos artistas, tenhamos sensibilidade; podemos pintar nosso quadro humano de forma marcante e delicada. Sim, o resultante de nossas vidas pode ser uma obra à la Afremov, à la fotografia e cores vibrantes de Amélie Poulain.
Sim, eu ainda ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome e amo passear no escuro pois testo minha paleta viva.
Nosso chão ainda pode ser o reflexo do céu que escolhemos para nosso olhar. Não importando a estação que vivemos, as “cores precisam eclodir mesmo nos dias mais cinzentos”.[1]
Segundo Adorno, cada obra de arte é um instante; cada obra conseguida é um equilíbrio, uma pausa momentânea do processo, e se manifesta ao olhar atento. Desta forma, abram os olhos e aprendam apreciar cada instante e cores de seu mundo vivo. Ultrapasse os limites da tela, permita-se não caber numa moldura, expanda-se, viva, pois sempre haverá uma cor por descobrir.











"Leonid Afremov é um pintor Bielo-russo que nasceu na cidade de Vitebsk em 1955. Coincidentemente ou não, ele nasceu na mesma cidade que Marc Chagall, o famoso artista que também fundou a Vitebsk Art School em parceria com Malevich & Kandinsky. Leonid Afremov se formou na Vitebsk Art School em 1978 e é um dos membros da elite. Suas pinturas são muitas vezes paisagens coloridas, cidades e personagens. Elas são tipicamente pintadas usando uma espátula e tinta óleo".








[1] Jeferson Quintella ( mon amour)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minhas impressões: Banksy – Guerra e Spray


  "Não dá para superar esse sentimento "

A leitura de imagens sempre me agradou; não tenho conhecimentos teóricos sobre arte pictórica, mas acredito que a experiência estética vai muito além de qualquer teoria. Poder olhar para uma imagem e perceber as diversas sensações, significações e rumos que ela pode tomar e nos proporcionar , fascina-me.
Confesso que as leituras mais formais como cores, formas etc; ou ainda temática, é o que menos importa para mim. O que me encanta é a relação que posso ter com a obra, as minhas reações, o que a obra me faz sentir; a relação com o meu mundo, com minhas experiências, com minhas conexões. E nessa leitura, a pessoal, que indico, o livro “BANKSY – GUERRA E SPRAY”.
O livro foi publicado, aqui no Brasil, pela editora Intrínseca, em 2012.  Sabemos que os livros de arte são praticamente inacessíveis; as publicações são apreciadas por um pequeno grupo, como: estudante de arte e professores; artistas; bibliófilos, ou seja, um grupo reduzido. Os preços são exorbitantes, afastando alguns leitores. Acredito que a editora Intrínseca teve como objetivo introduzir o público a obra de Banksy, proporcionando a oportunidade de termos um livro riquíssimo e acessível.

FICHA TÉCNICA
  • ISBN: 978-85-8057-258-2
  • Tradução: Rogério Durst
  • Lançamento: 2012-10-20
  • Páginas: 240
  • Formato: 21 x 26
  • Gênero: Séries

Sinopse: Ninguém sabe quem é Banksy, o artista do estêncil e do spray que tem deixado a marca de sua irreverência em paredes de cidades do mundo inteiro, de Londres à Palestina. Sabe-se apenas que teria nascido em Bristol, no sul da Inglaterra, onde iniciou suas atividades. A obra de Banksy, porém, é inconfundível: ratos de guarda-chuva, macacos ameaçando dominar o mundo, inusitados sinais de trânsito e comentários mordazes sobre a sociedade contemporânea, o consumismo, as guerras e o conformismo. Sua arte em grafite ganhou fãs em toda parte, é amplamente reproduzida pela internet e já foi vendida por mais de 50 mil libras em leilões. Guerra e spray reúne o melhor de seus trabalhos e expõe alguns de seus pensamentos nas palavras do próprio Banksy. Além das obras criadas para as ruas, o livro inclui também intervenções que o artista fez em locais privados, como museus de Nova York e o zoológico de Barcelona.

Minhas impressões: Dos muros para o papel.
O grafite é uma manifestação artística. Com sua linguagem de protesto e de resistência tornou-se universal.  Conquistou diversos espaços: Dos muros para os livros; da roda de grafiteiros para a roda acadêmica, do preconceito para aceitação e respeito. Em Banksy – Guerra e Spray nos deparamos com uma variedade de imagens que revelam-se como personagens marcantes, associadas a críticas inesquecíveis.
Nos grafites e performances do artista tudo adquire alma, e é registrado de forma singular: o cenário urbano ou rural; os museus ou zoológicos; os macacos e os ratos ... Tudo possui uma alma questionadora e nos provoca. Banksy imprime em sua obra um toque inconfundível. Temos 240 páginas entre imagens e textos singulares.
Segundo Banksy, ao contrário do que dizem por aí, o grafite não é a mais baixa forma de arte. Grafitar é, na verdade, uma das mais honestas formas de arte disponíveis. Não existe estilismo ou badalação, o grafite fica exposto nos melhores muros e paredes que a cidade tem a oferecer e ninguém fica de fora por causa do preço do ingresso. Para o artista, quem desfigura nossos bairros são as empresas que rabiscam slogans gigantes em prédios e ônibus tentando fazer que nos sintamos inadequados se não comprarmos seus produtos. Essas empresas acreditam ter o direito de gritar sua mensagem na cara de todo o mundo, sem que ninguém tenha o direito de resposta. O artista finaliza o texto, dizendo que as empresas começaram a briga e a parede é a arma escolhida para revidar.
O artista é bem irônico e sarcástico; há muitas críticas ácidas no livro, mas citarei três que aprecio bastante, e que se repetem . A primeira é contra policias e seu autoritarismo. Segundo o artista, Policiais e seguranças usam quepes com abas sobre os olhos por motivos psicológicos. Aparentemente, sobrancelhas são muito expressivas e cobri-las torna sua aparência mais autoritária. Em compensação, é mais difícil para os agentes da lei perceber qualquer coisa que aconteça a mais de dois metros acima do solo, o que torna bem mais fácil grafitar telhados e pontes.
A segunda são pinturas vandalizadas. Numa série de obras conhecidas, Banksy brinca com releituras.
“Se você quer sobreviver como grafiteiro num ambiente fechado, me parece que sua única opção é pintar sobre coisas que não lhe pertençam”.

Na releitura de Girassóis, Van gogh, temos “Girassóis do posto de gasolina”. 
Já em Le pont de Giverny, Claude Monet, temos “Me mostre o monet”.
A terceira crítica que me toca é a da fome, pobreza e capitalismo. Em “Burger King”, por exemplo, temos uma criança com a coroa da rede fast-food com um prato de comida vazio.

 Outra obra polêmica, nessa temática, é a montagem com a foto de Kim Phuc, nessa a criança está de mãos dadas a Mickey e Ronald Mc Donalds. Poderia ficar horas citando as imagens do livro, mas convido-os a terem a sua experiência com Bansky.


Renata Ferreira

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Les émotifs Anonymes( Impressões singelas)

               
A comédia romântica, dirigida por Jean-Pierre Améris, tem vários elementos para ser considerada um bom filme.
 Les émotifs Anonymes (2010) é o resultado da mistura de sentimentos mais chocolates. Receita gostosa e eficaz tanto na ficção como na realidade. O filme é simples e encantador tal como os romances. Lembrei da canção Românticos de Vander Lee, há um trecho que diz: "Românticos são lindos, Românticos são limpos e pirados". O trecho traduz bem nossos personagens: Angélique Delange (Isabelle Carré) e Jean-René Van Den Hudge (Benoît Poelvoorde).
Eles são tímidos, medrosos, e ficam paralisados quando expostos. Mudez, gagueira, palpitações, desmaios, suor, terapia, fobia de quase tudo e todos. Agora, imagine-os apaixonados ou melhor amando. Um desastre só.
Angelique: Mocinha encantadora, mas perde para Poulain (a mais encantadora de todas). Especialista em chocolates e muita talentosa; criou diversos chocolates requintados e apreciados pela crítica, porém como é uma Émotive opta pelo anonimato. Não aguenta um olhar que dirá um elogio, desta forma, assina suas guloseimas com um pseudônimo. É frequentadora assídua dos Émotifs Anonymes. Quando fica nervosa canta uma musiquinha fofa.
Jean-René Van Den Hudge: Esse tem a fama de chefe durão. Mal cumprimenta seus funcionários, mas na real é um solitário, com fobia de pessoas, e  faz terapia para curar sua timidez. Dono de uma fábrica de chocolates, prestes a falir, necessitava contratar uma ótima representante comercial que o ajudasse a vender muitos chocolates , caso não conseguisse decretaria falência. Quando fica nervoso repete frases de motivação e troca as camisas suadas.
            Unidos pelos chocolates: Desempregada, Angelique consegue uma entrevista na fábrica. Pensou que seria contratada como ajudante de confeitaria, porém foi convidada a assumir o cargo de Representante Comercial. Jean-Réne gostou tanto de Angelique, e não entrevistou mais nenhuma candidata. Ela entrou em desespero, pois sua timidez não ajudaria nas vendas. Pensou em desistir, mas seu amor por chocolates falou mais alto.
Angelique insistia nas vendas, mesmo com todas as negativas. 
Jean-René continuava na terapia (descobriu que tinha medo das mulheres, além de todas as outras fobias). Enquanto ela tentava vender, ele estava empenhado em cumprir as tarefas dadas pelo analista.
            Primeira tarefa:  "Toque em alguém". Como isso foi difícil para Jean-René. Tentou com todos os funcionários, até conseguir pegar a mão de Angelique. Ficou tão nervoso que a beijou....


Segunda tarefa: "Convide alguém para jantar". A cena do jantar é bem engraçada. Bom, não contarei mais nada. Assistam. Só posso dizer que ficam juntos e o final é uma lindeza só.
Renata Ferreira