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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Drummond: o soluço de vida que rebenta de cada verso é imortal



No dia 17 de agosto de 1987, há 28 anos, a luz se apagou para o poeta do Sentimento do Mundo,  Rosa do povo, do Claro Enigma... O poeta cujos poemas transitam no tempo.
Nunca esqueceremos  Carlos. O soluço de vida que rebenta de cada verso é imortal.
Carlos Drummond de Andrade nasceu em 31 de outubro de 1902, em Itabira Minas Gerais, cidade que influenciou sua obra. Seus primeiros trabalhos foram publicados no Diário de Minas. O poeta não demorou para se impor no cenário da poesia brasileira, da melhor poesia. Também foi cronista, jornalista e funcionário público.
O poema No meio do Caminho, tão conhecido, foi publicado em 1928 na Revista de Antropofagia. Em 1930 publicou o seu primeiro livro Alguma poesia, que marca o início da segunda fase do Modernismo brasileiro. O poema de abertura desse livro é Poema de sete faces, cujo eu-lírico manifesta a insatisfação com um mundo onde a desesperança sufoca. Podemos lê-lo como autobiográfico, talvez Carlos quisesse ter um retrato cuja imagem fosse desenhada em versos. Tudo indica que sim.      
 
“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida...”


Esse poema teve “filhos”, "filhos" nascidos da intertextualidade, “filhos” nascidos também pelo amor a Drummond, cada “filho” com sua singularidade.  Torquato neto escreveu LET'S PLAY THAT, musicado por Jards Macalé;

Quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião

eis que esse anjo me disse
apertando minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes

Já Chico Buarque escreveu Até o fim
                   
“Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim...”

Em Adelia Prado temos o poema Com licença poética

“Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada...”

O próprio Poema de sete faces apresenta intertextualidade com um versículo bíblico. (Evangelho de Mateus, capítulo 27, versículo 46).

“...o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

Drummond não escondeu sua desilusão com o mundo, um mundo que causava mal-estar, encontramos dentre as diversas temáticas: o retrato do cotidiano, os problemas sociais e políticos ,não só mundiais como os brasileiros.

A poesia de Drummond foi dividida em quatros fases. A primeira, conhecida como Gauche, é a fase da reflexão existencial, do isolamento, do individualismo. A segunda fase é a social, nesta o poeta escreveu Sentimento do Mundo(1940), José (1942) e Rosa do Povo(1945). Temos um Drummond mais participativo, o isolamento da primeira fase é substituído pelo grito que ecoa a problemática do mundo.
 A terceira fase é dividida em dois momentos, Dummond percorria novos caminhos, o da poesia filosófica e o da poesia nominal. A quarta fase (década de 70, 80), a última, é uma fase mais memorialística (Infância, família) e temas universais também são retomados. 
Para finalizar a singela homenagem,  segue um dos mais belos poemas do poeta.



Sentimento do Mundo
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer

mais noite que a noite.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Acreditava que não sofria preconceito racial


                                                                                     "Preta, Preta, Pretinha!"
Quando crescemos a cruel realidade bate à retina e nos deparamos com um mundo violento, da segregação racial, de pessoas preconceituosas e de muitos discursos e situações chocantes; tudo tão desumano que o olhar de uma criança não alcança.
O preconceito racial, por exemplo, temática desse texto, era algo “distante" da minha realidade, algo que eu não acreditava sofrer [mesmo sendo negra e morando numa comunidade].
Cheguei a ouvir na infância alguns depoimentos que me deixavam triste, de alguns coleguinhas de classe, mas me pareciam distantes. Não compreendia a dimensão e gravidade da questão, aquilo nunca fora assunto conversado por professores ou familiares. Achava que era uma brincadeira de mau gosto, mas brincadeira.  Pensava: não sofro isso, uma pena eles sofrerem. Isso era o máximo de reflexão. Afinal, minha ingenuidade não captava a questão, não captava o que era o preconceito racial, muito mesmo o preconceito velado
Assim, acreditava viver num país das maravilhas no que concerne o racismo e exclusão.
O fato é que agora consigo enxergar a ignorância, preconceito e a face por trás do véu de muitas pessoas. E, hoje, sem a ingenuidade da infância e adolescência posso unir todas as frases ouvidas e montar um grande quebra cabeça chamado racismo. E para completar as peças, posso somar as frases que ouço na fase adulta.
Cresci numa família onde a maioria são brancos e me tratavam assim também. Ops: Primeiro preconceito. Ao falarem mal dos cabelos das “negrinhas” da rua, na minha frente, diziam que o meu era bom. Eu não falava, mas pensava: o meu é igual.
Quanto a cor, era mais bizarro ainda, eu nunca fui negra, era a moreninha do cabelo enrolado (Com o pai negro e mãe branca, eu nasci um pouco mais clara, o que para eles era o suficiente para eu não ser negra).
 Eu não sabia que tudo isso era preconceito velado, conforme fui crescendo comecei a questionar, e diziam: “não somos preconceituosos, “gostamos dos pretos” e há pretos na família”, “já namorei preto”. É, agora entendo como são ou eram ignorantes. Poderiam ter ou não a noção disso, mas não deixavam de ser.
Uma prima começou a namorar com um negro, e mesmo havendo negros na família, ela ouviu: pense nos seus filhos como terá trabalho para pentear os cabelos dessas crianças. Na hora eu questionei o horror da frase, mas sabe como é, adultos tem sempre razão.
Chegou um momento que eu não aceitava ser considerada a moreninha, eu sou negra. Mas, o mais intrigante que não era algo apenas do núcleo familiar, percebi que as pessoas não sabiam o que era ser negro, e se sabiam, achavam que era ofensa. Debati infinitas vezes com pessoas que negavam a minha cor, e quando eu afirmava, pedindo para me encararem, diziam que eu queria assunto, pois não era negra. Alguns tiveram a petulância de mostrar pessoas consideradas negras, ou seja, tem que ser “tição” e você não é.
Poderia ficar horas aqui escrevendo as frases, mas quero acreditar que vocês não precisam de muitas descrições para perceberem o que é preconceito velado, principalmente o praticado por familiares.
Adulta, percebo que o preconceito racial está por toda a parte, velado ou não precisamos identificá-lo, não importa se é membro da família, amigo, ou alguém que acabamos de conhecer, conscientizar essas pessoas que acreditam não serem preconceituosas é primordial na luta contra o racismo.
Muitas das vezes é só ignorância, é cegueira, e precisamos fazê-las enxergar o quão idiota é esse discurso, antes que isso se impregne e torne algo consciente. Precisamos repreender as atitudes racistas com mais empenho e voracidade.
 Acredito que todos são capazes de educar, principalmente em questões sociais, raciais, humanas, etc.  Não dá para esperar que a escola faça isso, ou pais sem noção, que criam filhos preconceituosos, incapazes de respeitar o próximo.
No primeiro dia numa universidade pública, numa reunião de boas-vindas com os veteranos. Escutei de uma mulher branca, moradora da zona sul do Rio a seguinte frase: VOCÊ MORA NA BAIXADA, EM DUQUE DE CAXIAS, NÃO PARECE. SÉRIO, NÃO PARECE, É INTELIGENTE.
Contexto: aquela mulher branca numa faculdade de humanas, conversava comigo sobre literatura, música; o papo rico ia muito bem, até eu falar de onde vinha. Com muita calma, eu a enxerguei como uma criança que precisava ser educada, e a disse: Na Baixada Fluminense há pessoas maravilhosas, inteligentes, e que são capazes de fazer parte daquele lugar, tanto quanto a mocinha preconceituosa. Sim, o discurso é preconceituoso. Disse também, que como alguém que é da área de humanas, HUMANAS, pode falar daquele jeito. Expliquei o que era segregação racial. Enfim, encerramos a conversa e ela com olhos arregalados me pediu desculpas e disse que não teve a intenção. Expliquei que o preconceito muita das vezes está em pessoas que “não tem a intenção”.
Outra situação, mais atual: ouvi de um familiar de alguém que amo muito o seguinte: você é pretinha mas é muito bonita. Agora, imaginem a situação, a mulher que me disse isso é negra, negra com todos os traços. Mas, adivinhem não se considera negra. E por mais que eu tenha explicado mil vezes o que era racismo, racismo velado etc, os neurônios da pessoa não alcançaram a mensagem, e não viu nada de ofensivo na frase. E disse, que eu estava exagerando.
Em que mundo esses hipócritas vivem, respondam?  Porque eu tenho muita dificuldade de entender: É “burrice” mesmo? porque não é só ignorância. Quando alguém te explica algo importante e você continua ignorando...O  que devo pensar de você?
Por fim, acho que há casos que não tem jeito, o indivíduo é preconceituoso mesmo e ponto; não usa máscaras, e é tudo muito explícito, precisam pagar pelo crime de racismo. Mas como sou uma pessoa otimista e muito observadora, sei que há casos de preconceito velado que não passa de ignorância, o indivíduo cresceu ouvindo isso e reproduz, como uma criança, nesses casos devemos tentar usar o poder da educação. Analisar o contexto da frase e a pessoa; o cara é racista mesmo? Ou teve uma atitude racista? precisa de ajuda para entender sobre o assunto? Posso ajudá-lo? Posso tentar explicar o que é racismo, velado ou não?
Acredito que podemos fazer muita coisa, o que não podemos é ficar de braços cruzados, apenas apontando o preconceito. Conscientizar essas pessoas que acreditam não ser preconceituosas é primordial para  melhoramos a situação dos negros, principalmente os que ainda não sabem dos seus direitos, os que aceitam calados.
 Quando o indivíduo entender de fato, ele refletirá e assim poderá identificar outros discursos racistas e ajudar outras pessoas a compreenderem. Não custa tentar.
E para finalizar o singelo texto, segue um diálogo no banheiro de uma grande empresa. Onde todas as pessoas deveriam informar e refletir sobre questões sociais e raciais; onde a maioria é formado em comunicação social.
Situação: Mulher negra (Eu) diante do espelho, passando silicone nas pontas dos cachinhos. Naquele dia meu cabelo estava maravilhosamente lindo :-)
Mulher branca: Deve ser difícil cuidar disso tudo, neh? Pentear ?
Eu: Não
Mulher branca: Como você faz, lava todos os dias?
Eu: Como você faz com o seu?
Mulher branca: Lavo duas vezes por semana
Eu: Então, eu lavo três
Mulher branca: Sério?
Eu: Sim
Mulher branca: Tenho uma vizinha que a filha tem o cabelo assim, ela reclama muito, dói o braço para pentear, ela diz que é um sofrimento, e é horrível. Acho que vai cortar.
Eu: Diz a sua vizinha, que a filha dela tem cabelo, logo precisa ser lavado, condicionado, hidratado como o seu ou de qualquer outra pessoa. Se não há cuidados básicos, obviamente, qualquer cabelo ficará um pouco ou mais embolado.
Mulher branca: olhos arregalados
Eu: uma pena quando o preconceito vem da própria família, e as crianças crescem achando que ter o cabelo crespo é ruim. Tristíssimo uma mãe tão ignorante como essa.
Mulher branca: Ainda bem que eu não sou preconceituosa.
Eu. OK, boa tarde.




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Alexander Yakovlev: a poesia corporal captada no instante fotográfico


Fotografia e Dança são amores antigos. Ver um trabalho cuja união da segunda e da oitava arte se completam me dá um prazer inenarrável. Um desejo de compartilhar minhas impressões singelas e descobertas com todos. Contagiá-los, ou melhor tentar, já que é impossível escrever o que sentimos. No que concerne à arte, então, é mais complicado ainda. Não há teoria da arte que traduza uma experiência estética.
O fotógrafo russo Alexander Yakovlev conseguiu unir a Fotografia e a Dança de forma rica e singular, num ensaio fotográfico brilhante. Registrou movimentos, que nos palcos são executados com rapidez e com uma sutiliza ímpar, própria dos deuses bailarinos.  Às vezes, são tão rápidos que nosso olhar não capta toda a beleza e perfeição desses corpos que são verdadeiras obras de arte.
Dança e fotografia são para mim poesia pura, enquanto aquela é um poema registrado em cada movimento [poesia corporal], esta é a experiência poética do olhar e do coração registrada numa imagem.
A dança assim como a poesia ultrapassa a fronteira da expressão artística. Há um poema do maravilhoso Carlos Drummond de Andrade cujos versos tentam externar o que é a dança. O poema é intitulado A dança e a alma, e cabe perfeitamente na minha tentativa de expor meus sentimentos.


A dança? Não é movimento

súbito gesto musical

É concentração, num momento,
da humana graça natural

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança- não vento nos ramos
seiva, força, perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão 
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas


E o que dizer da fotografia. Melhor não dizê-la. Permita-se senti-la. Admire e agradeça aos fotógrafos que fotografam com o coração e a com alma. Bresson estava mais do que certo quando disse que “Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração”. Enxergar com o coração e clicar é divino, olhar para uma fotografia e sentir a imagem, o fotógrafo e o instante, é ser humano. Sejamos, humanos.

Voilà as imagens! 













Quer conhecer mais sobre o trabalho do fotógrafo Alexander Yakovlev?  acesse o site ayakovlev.comFacebook

Espero que tenham gostado
Um Abraço!|
Renata Ferreira

sábado, 13 de junho de 2015

Leonid Afremov: cores alegres e vivas que não deveríamos esquecer


Encantada. Essa palavra me define diante das obras de Leonid Afremov. As cores alegres e vivas usadas pelo artista denotam a poesia e paixão que me esforço para ver e viver diariamente.
 A poesia e as cores esquecidas pelos olhares sombrios de toda gente ainda estão por toda parte. Não, não é mera experiência estética, ainda é possível experimentar o mundo que os artistas veem e se inspiram.
Sejamos artistas, tenhamos sensibilidade; podemos pintar nosso quadro humano de forma marcante e delicada. Sim, o resultante de nossas vidas pode ser uma obra à la Afremov, à la fotografia e cores vibrantes de Amélie Poulain.
Sim, eu ainda ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome e amo passear no escuro pois testo minha paleta viva.
Nosso chão ainda pode ser o reflexo do céu que escolhemos para nosso olhar. Não importando a estação que vivemos, as “cores precisam eclodir mesmo nos dias mais cinzentos”.[1]
Segundo Adorno, cada obra de arte é um instante; cada obra conseguida é um equilíbrio, uma pausa momentânea do processo, e se manifesta ao olhar atento. Desta forma, abram os olhos e aprendam apreciar cada instante e cores de seu mundo vivo. Ultrapasse os limites da tela, permita-se não caber numa moldura, expanda-se, viva, pois sempre haverá uma cor por descobrir.











"Leonid Afremov é um pintor Bielo-russo que nasceu na cidade de Vitebsk em 1955. Coincidentemente ou não, ele nasceu na mesma cidade que Marc Chagall, o famoso artista que também fundou a Vitebsk Art School em parceria com Malevich & Kandinsky. Leonid Afremov se formou na Vitebsk Art School em 1978 e é um dos membros da elite. Suas pinturas são muitas vezes paisagens coloridas, cidades e personagens. Elas são tipicamente pintadas usando uma espátula e tinta óleo".








[1] Jeferson Quintella ( mon amour)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Descobertas poéticas: Mia couto, o amor e a entrega

Desejo poemas
 Esses corpos escritos ultrapassam a experiência estética. Que difícil contorná-los, defini-los...
Definir a poesia de um poema para mim é matar o corpo e a mente dum poeta, assim como os sentimentos. Esse ser Poeta que admiro loucamente e me dá prazeres inenarráveis é só afeto, é um doar-se sem egoísmo. É a síntese da doação mais valorosa, a que reúne todos os sentimentos num corpo poético, num corpo livre, que mergulha fundo em nós. Somos Mar.
Quando leio um poema, almejo a experiência na amplitude da palavra, aquela que nos conecta com uma voz e um pensamento de outrem. Uma voz que ecoa dentro de nós e se funde com nosso corpo.
Sinto que o poema nos escolhe e não ao contrário. Lemos uma infinidade de textos que não nos dizem nada, são apenas palavras em estrofes. Mas quando encontramos corpos escritos, corpos poéticos nos apaixonamos , nos viciamos num prazer sem fim, sentimos e temos uma das melhores experiências de nossas vidas. Parece exagero, eu sei.
Não quero fazer uma lista de poetas singulares e suas obras. Descobertas são essenciais em nossas vidas, e incluo as descobertas poéticas.
Citarei um Poema, desses com letra maiúscula que descobri há pouco tempo e que me tocou profundamente pela singularidade, simplicidade, e riqueza. A temática é considerada, para   muitos, cliché e démodé, mas para mim é a base de tudo. O poema é do maravilhoso Mia Couto, que já amo pela nobre doação e entrega.

O Amor, Meu Amor
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.

E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,

lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.

No livro “Idades cidades divindades”


Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra sonâmbula é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.







Espero que tenham gostado!
Deixem-se ser conquistados por poetas e poemas





Renata Ferreira

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

RJ: 7 dicas para fazer no feriado de 20 de janeiro

Nesta terça-feira (20) é feriado no RJ, dia do padroeiro da cidade,  São Sebastião. Reunimos 7 dicas para aqueles que querem fugir das praias e do sol que tá de lascar!!

RJ+ Verão+ Muito quente+ Não está afim de enfrentar a praia +Ar condicionado por favor= selecionamos algumas atividades para fazer no feriado.


1- Assistir filmes sempre é uma boa opção, mas no verão é melhor ainda! Cineminha “geladinho” com uma boa companhia é a primeira dica para feriado.

Para aqueles que curtem o Cine Estação, há filmes em cartaz que foram indicados para o Oscar 2015 e que os cinéfilos de plantão adoraram. Que tal vê-los e fazer sua própria crítica. 

RELATOS SELVAGEM:
Indicado: Melhor longa estrangeiro
Direção: Damian Szifrón
Elenco: Ricardo Darín, Oscar Martínez, Leonardo Sbaraglia, Erica Rivas
Nome Original: Relatos salvajes
Ano: 2014
Duração: 122 min
País: Argentina / Canadá / Itália
Classificação: 16 anos
Gêneros: Comédia, Drama, Terror



Sinopse: Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.
 trailer



BOYHOOD- Da Infância à Juventude
Indicado: Melhor filme/Melhor diretor/Melhor ator coadjuvante/Melhor atriz coadjuvante/Melhor roteiro original/Melhor montagem.

Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater, Zoe Graham, Nick Krause, Evie Thompson, Chris Doubek
Direção: Richard Linklater
Gênero: Drama
Duração: 166 min.
Distribuidora: Universal
Classificação: 14 Anos

Sinopse: O filme conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason (Ellar Coltrane). A narrativa percorre a vida do menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, e analisa sua relação com os pais conforme ele vai amadurecendo.

 trailer


LEVIATÃ
Indicado: Melhor longa estrangeiro
Ficha Técnica
Título Original: Leviathan
Gênero: Drama
Duração: 141 min.
Origem: Rússia
Direção: Andrey Zvyagintsev
Roteiro: Andrey Zvyagintsev, Oleg Negin
Distribuidor: Imovision
Ano: 2014
Sinopse: Numa península do Mar de Barents, no Ártico, um pai de família (Aleksey Serebryakov) luta contra os desmandos de um prefeito corrupto. Para enfrentar o político que tenta desalojá-lo, ele recorre a um colega de Moscou.

 trailer


 2- Conheça o MAR ( Museu de Arte do Rio)
 A visita panorâmica apresenta a arquitetura e as exposições do MAR- 11h, 14h30 e 18h30

Exposições: 
Guignard e o Oriente, entre o Rio e Minas

"O Museu de Arte do Rio – MAR apresenta, sob a curadoria de Priscila Freire, Marcelo Campos e Paulo Herkenhoff, a exposição Guignard e o Oriente, entre Rio e Minas, que dá continuidade ao seu programa curatorial de interesse historiográfico, concebendo mostras que revisam narrativas da história da arte a fim de problematizar suas eventuais simplificações e ativar sua dimensão crítica. Assim, depois de exposições como Vontade Construtiva na Coleção Fadel, Pernambuco Experimental e Pororoca – A Amazônia no MAR, Guignard é apresentado ao público do museu especialmente por meio de sua relação com a estética chinesa, numa asserção de que não se pode interpretar sua obra sem passar pelo Oriente...".

Do Valongo à Favela: imaginário e periferia

"A parte do Rio de Janeiro que corresponde hoje aos bairros da Saúde e da Gamboa pode ser considerada a primeira periferia do Brasil. Ao longo do tempo foi sendo transferida para a região uma série de atribuições indesejáveis para a porção da cidade considerada mais nobre. Com o aumento das atividades portuárias, o carregamento de mercadorias passou do antigo cais próximo ao Largo do Paço (atual Praça XV) para a Prainha (hoje Praça Mauá). Não somente ouro e diamantes escoados de Minas Gerais, como também a carga humana trazida da África, faziam parte desse tráfico de coisas e de gente. Já no século XVIII, o mercado de escravos se estabeleceu próximo dali, na Rua do Valongo, seguido de perto pelo Cemitério dos Pretos Novos. Os chamados “usos sujos” se multiplicavam*.  A prisão do Aljube foi instalada em 1733, perto do trecho onde hoje se entroncam as ruas do Acre e Leandro Martins, enquanto o Hospital da Saúde – para doenças contagiosas – tinha sua localização entre a Rua da Gamboa e o Saco do Alferes, próximo ao Cemitério dos Ingleses. Volta e meia, a Forca Pública era armada na Prainha e os condenados levados à Igreja de Santa Rita para receber as últimas consolações..."

Serviço:
Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5, Centro
CEP 20081-240
Rio de Janeiro/RJ
(21) 3031 2741

3-Conheça a Biblioteca Parque Estadual! É lindíssima  e gelada!! J. Você poderá assistir um bom filme, pegar livros emprestados ou fazer outras atividades culturais.


“Em seus 15 mil metros quadrados, a Biblioteca Parque Estadual oferece: um acervo literário com mais de 250 mil itens, livros de arte, quadrinhos, 20 mil filmes, três milhões de músicas digitalizadas, biblioteca infantil, teatro com 240 lugares, auditório com 90 lugares, estúdios de som e de vídeo, salas multiusos para laboratórios, cafeteria...”.





Não quer sair de casa!!

4- Caso não esteja afim de sair , curta o feriado em casa, reúna os amigos queridos num ambiente fresquinho, compre umas cervejas, bastante água gelada, sucos naturais e comidinha leve!! Bom papo é sempre a melhor opção! Pegue o telefone e  chame-os !

5- Não quer sair de casa e quer ficar sozinho!! Não durma o feriado todo!
·         Leia um livro
·         Veja um filme
·         Escreva...

6- Quer ficar em casa com o seu amor!!
·         Que tal uma maratona de filmes
·         Se não tem piscina, que tal um banho no quintal( Chuveiro, mangueira, vale tudo).


7- Piquenique  na sala, por que não? 
    Fuja da Rotina e divirta-se



Bom Feriado!!!!