sábado, 15 de agosto de 2015
Versos íntimos ( Augusto dos Anjos)
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Acreditava que não sofria preconceito racial
"Preta, Preta, Pretinha!"
Quando crescemos a cruel realidade bate à retina e nos deparamos com um mundo violento, da segregação racial, de pessoas preconceituosas e de muitos discursos e situações chocantes; tudo tão desumano que o olhar de uma criança não alcança.
O
preconceito racial, por exemplo, temática desse texto, era algo “distante" da
minha realidade, algo que eu não acreditava sofrer [mesmo sendo negra e morando
numa comunidade].
Cheguei
a ouvir na infância alguns depoimentos que me deixavam triste, de alguns
coleguinhas de classe, mas me pareciam distantes. Não compreendia a dimensão e
gravidade da questão, aquilo nunca fora assunto conversado por professores ou
familiares. Achava que era uma brincadeira de mau gosto, mas brincadeira. Pensava: não sofro isso, uma pena eles
sofrerem. Isso era o máximo de reflexão. Afinal, minha ingenuidade não captava
a questão, não captava o que era o preconceito racial, muito mesmo o
preconceito velado
Assim,
acreditava viver num país das maravilhas no que concerne o racismo e exclusão.
O
fato é que agora consigo enxergar a ignorância, preconceito e a face por trás
do véu de muitas pessoas. E, hoje, sem a ingenuidade da infância e adolescência
posso unir todas as frases ouvidas e montar um grande quebra cabeça chamado
racismo. E para completar as peças, posso somar as frases que ouço na fase
adulta.
Cresci
numa família onde a maioria são brancos e me tratavam assim também. Ops:
Primeiro preconceito. Ao falarem mal dos cabelos das “negrinhas” da rua, na
minha frente, diziam que o meu era bom. Eu não falava, mas pensava: o meu é
igual.
Quanto
a cor, era mais bizarro ainda, eu nunca fui negra, era a moreninha do cabelo
enrolado (Com o pai negro e mãe branca, eu nasci um pouco mais clara, o que
para eles era o suficiente para eu não ser negra).
Eu não sabia que tudo isso era preconceito
velado, conforme fui crescendo comecei a questionar, e diziam: “não somos
preconceituosos, “gostamos dos pretos” e há pretos na família”, “já namorei
preto”. É, agora entendo como são ou eram ignorantes. Poderiam ter ou não a
noção disso, mas não deixavam de ser.
Uma
prima começou a namorar com um negro, e mesmo havendo negros na família, ela
ouviu: pense nos seus filhos como terá trabalho para pentear os cabelos dessas
crianças. Na hora eu questionei o horror da frase, mas sabe como é, adultos tem
sempre razão.
Chegou
um momento que eu não aceitava ser considerada a moreninha, eu sou negra. Mas,
o mais intrigante que não era algo apenas do núcleo familiar, percebi que as
pessoas não sabiam o que era ser negro, e se sabiam, achavam que era ofensa.
Debati infinitas vezes com pessoas que negavam a minha cor, e quando eu
afirmava, pedindo para me encararem, diziam que eu queria assunto, pois não era
negra. Alguns tiveram a petulância de mostrar pessoas consideradas negras, ou
seja, tem que ser “tição” e você não é.
Poderia
ficar horas aqui escrevendo as frases, mas quero acreditar que vocês não
precisam de muitas descrições para perceberem o que é preconceito velado, principalmente
o praticado por familiares.
Adulta,
percebo que o preconceito racial está por toda a parte, velado ou não precisamos identificá-lo,
não importa se é membro da família, amigo, ou alguém que acabamos de conhecer,
conscientizar essas pessoas que acreditam não serem preconceituosas é
primordial na luta contra o racismo.
Muitas
das vezes é só ignorância, é cegueira, e precisamos fazê-las enxergar o quão
idiota é esse discurso, antes que isso se impregne e torne algo consciente.
Precisamos repreender as atitudes racistas com mais empenho e voracidade.
Acredito que todos são capazes de educar, principalmente
em questões sociais, raciais, humanas, etc. Não dá para esperar que a escola faça isso, ou
pais sem noção, que criam filhos preconceituosos, incapazes de respeitar o
próximo.
No
primeiro dia numa universidade pública, numa reunião de boas-vindas com os
veteranos. Escutei de uma mulher branca, moradora da zona sul do Rio a seguinte
frase: VOCÊ MORA NA BAIXADA, EM DUQUE DE CAXIAS, NÃO PARECE. SÉRIO, NÃO PARECE,
É INTELIGENTE.
Contexto:
aquela mulher branca numa faculdade de humanas, conversava comigo sobre
literatura, música; o papo rico ia muito bem, até eu falar de onde vinha. Com
muita calma, eu a enxerguei como uma criança que precisava ser educada, e a
disse: Na Baixada Fluminense há pessoas maravilhosas, inteligentes, e que são
capazes de fazer parte daquele lugar, tanto quanto a mocinha preconceituosa. Sim,
o discurso é preconceituoso. Disse também, que como alguém que é da área de
humanas, HUMANAS, pode falar daquele jeito. Expliquei o que era segregação
racial. Enfim, encerramos a conversa e ela com olhos arregalados me pediu
desculpas e disse que não teve a intenção. Expliquei que o preconceito muita
das vezes está em pessoas que “não tem a intenção”.
Outra
situação, mais atual: ouvi de um familiar de alguém que amo muito o seguinte:
você é pretinha mas é muito bonita. Agora, imaginem a situação, a mulher que me
disse isso é negra, negra com todos os traços. Mas, adivinhem não se considera
negra. E por mais que eu tenha explicado mil vezes o que era racismo, racismo
velado etc, os neurônios da pessoa não alcançaram a mensagem, e não viu nada de
ofensivo na frase. E disse, que eu estava exagerando.
Em
que mundo esses hipócritas vivem, respondam?
Porque eu tenho muita dificuldade de entender: É “burrice” mesmo? porque
não é só ignorância. Quando alguém te explica algo importante e você continua
ignorando...O que devo pensar de você?
Por
fim, acho que há casos que não tem jeito, o indivíduo é preconceituoso mesmo e
ponto; não usa máscaras, e é tudo muito explícito, precisam pagar pelo crime de
racismo. Mas como sou uma pessoa otimista e muito observadora, sei que há casos
de preconceito velado que não passa de ignorância, o indivíduo cresceu ouvindo
isso e reproduz, como uma criança, nesses casos devemos tentar usar o poder da
educação. Analisar o contexto da frase e a pessoa; o cara é racista mesmo? Ou teve
uma atitude racista? precisa de ajuda para entender sobre o assunto? Posso
ajudá-lo? Posso tentar explicar o que é racismo, velado ou não?
Acredito
que podemos fazer muita coisa, o que não podemos é ficar de braços cruzados,
apenas apontando o preconceito. Conscientizar essas pessoas que acreditam não
ser preconceituosas é primordial para melhoramos a situação dos
negros, principalmente os que ainda não sabem dos seus direitos, os que aceitam
calados.
Quando o indivíduo entender de fato, ele
refletirá e assim poderá identificar outros discursos racistas e ajudar outras
pessoas a compreenderem. Não custa tentar.
E
para finalizar o singelo texto, segue um diálogo no banheiro de uma grande
empresa. Onde todas as pessoas deveriam informar e refletir sobre questões
sociais e raciais; onde a maioria é formado em comunicação social.
Situação:
Mulher negra (Eu) diante do espelho, passando silicone nas pontas dos
cachinhos. Naquele dia meu cabelo estava maravilhosamente lindo :-)
Mulher
branca: Deve ser difícil cuidar disso tudo, neh? Pentear ?
Eu:
Não
Mulher
branca: Como você faz, lava todos os dias?
Eu:
Como você faz com o seu?
Mulher
branca: Lavo duas vezes por semana
Eu:
Então, eu lavo três
Mulher
branca: Sério?
Eu:
Sim
Mulher
branca: Tenho uma vizinha que a filha tem o cabelo assim, ela reclama muito,
dói o braço para pentear, ela diz que é um sofrimento, e é horrível. Acho que vai cortar.
Eu:
Diz a sua vizinha, que a filha dela tem cabelo, logo precisa ser lavado,
condicionado, hidratado como o seu ou de qualquer outra pessoa. Se não há
cuidados básicos, obviamente, qualquer cabelo ficará um pouco ou mais embolado.
Mulher
branca: olhos arregalados
Eu:
uma pena quando o preconceito vem da própria família, e as crianças crescem
achando que ter o cabelo crespo é ruim. Tristíssimo uma mãe tão ignorante como
essa.
Mulher
branca: Ainda bem que eu não sou preconceituosa.
Eu.
OK, boa tarde.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Impressões sobre o livro " O segredo do meu marido"
“Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta que deve ser aberta
apenas quando ele morrer; imagine também que essa carta revela seu pior e mais
profundo segredo — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês
construíram juntos, mas também a de outras pessoas”.
Sinopse:
Impressões:
Liane Moriarty, em o Segredo
do meu marido, narra a história de diversos personagens que ao que tudo
indica não possuem nenhuma ligação; suas rotinas chegam a ter um continente a
separá-las, porém uma carta escrita para que fosse aberta apenas após a morte
do remetente, muda a vida de todos. A informação carrega o elo.
A autora inicia
o livro com a apresentação de Cecília Fitzpatrick, uma mulher extremamente
dedicada à família. Uma esposa maravilhosa, que cuida muito bem das filhas, do
marido, da casa e da vida profissional. Tudo segue em plena ordem.
No segundo capítulo
conhecemos Tess, uma mulher que vê sua vida perder o rumo;
desnorteada com novos acontecimentos que a remetem ao seu mais triste e antigo
trauma.
Após, aparece Rachel,
mãe de Rob e avó de Jacob, tem uma grande perda que pesa em seu peito, mas
consegue ser feliz, tanto quanto pode ser.... Porém irá descobrir a fragilidade
de sua felicidade com a notícia de uma nova perda.
A escrita Liane
Moriarty é simples e fluida, mas rica no que concerne a construção dos
personagens e a forma pela qual eles crescem e aparecem no texto;
preenchendo-os com tanta vida e caminhos que dificultam ainda mais a previsão
do leitor.
O elo entre eles
parece não existir, mas pouco a pouco Moriarty vai desenredando o fio que liga
os seus personagens e constrói uma imensa colcha. Unida por muitos pontos.
Um pensamento: cada
decisão que tomamos muda não só com o nosso destino, mas com o curso de muitas
outras vidas; por mais que o acaso tente mostrar toda a conexão que nos cerca
continuamos acreditando que a roda-viva segue girando desconexa, e as linhas do
nosso fado enredam cada vez mais neste jogo de azar.
O azar de um é sempre
a sorte do outro e por pouco muito nos acontece, tão rápido, tão ironicamente
previsível, que sua percepção se faz desacreditada.
A colcha
costurada por Moriarty é feita de muitos sentimentos e pessoas; conexões;
amores e desamores; momentos tristes e felizes; famílias e destinos.
A carta aberta...
“A caixa de Pandora
ao ser aberta espalhou todos os males pelo mundo, mas preservou-se em seu fundo
a esperança”
Editora Intrínseca
- Tradução: Rachel Agavino
- Páginas: 368
- Gênero: Ficção
- Formato: 16 X 23
Colaborou Jeferson Mello
domingo, 19 de julho de 2015
Semanário da Sétima Arte
“Wild”
, “Woody
Allen – Um Documentário”, “Coco Avant Chanel”, “Yves Saint-Laurent” e “Candy”.
Salut!
Esse
semestre resolvi fazer um pequeno catálogo de filmes que assisti. Adoro guardar
ingressos de cinema ou anotar os nomes de filmes que vi em casa, mas sempre os
perco. Assim, usarei o espaço do blog para registrar semanalmente os filmes,
suas respectivas sinopses, um singelo comentário e o trailer. Quando houver
tempo, uma resenha.
Voilà!
Wild
Sinopse: Após a morte de sua mãe, um divórcio e uma
fase de autodestruição repleta de heroína, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon)
decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto,
ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico.
Impressões: Esse filme, dirigido
por Jean-Marc Vallée, me fez
recordar outro inesquecível “A natureza
selvagem”. Ambos são filmes biográficos e dramáticos.
Em
“A natureza selvagem”, Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem
recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da
liberdade, após dois anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens
e partir rumo ao Alasca, e não volta mais.
Em “Wild”, temos um filme baseado
na vida de Cheryl Strayed , interpretada por Reese Witherspoon ❤ , uma mulher que
decidiu fazer uma trilha 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico, que inclui
toda a costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá,
conhecida como "Pacific Crest Trail". Cheryl não tinha nenhuma
pratica com trilhas ou esporte, mas tomou essa decisão após sua vida mudar
drasticamente.
Com a morte da mãe, Cherly fica
depressiva e passa consumir drogas pesadas; trai o marido com diversos homens e
não aguenta quando ele pede o divórcio. Com a necessidade de liberta-se dessa
fase que quase a levou à morte, e em busca de autoconhecimento, a mulher se aventura numa longa caminhada
cuja companhia é seus pensamentos, seus tristes pensamentos. “Wild” é baseado
no livro "Livre - A jornada de uma mulher em busca do recomeço". O
que mais me chamou atenção no filme foram os flashes memorialísticos de Cherly
, que vêm à tona durante toda a caminhada. Uma vida marcada por traumas desde a
infãncia, quando seu pai, um alcoólatra, agredia a mãe e abandonou a
família.
Duração:
1h56min
Woody Allen – Um Documentário
Sinopse:
documentário sobre Woody Allen aborda vários momentos da carreira do cineasta e
conta com depoimentos de importantes nomes da sétima arte. Antonio Banderas,
Josh Brolin, Penélope Cruz, John Cusack, Larry David e Scarlett Johansson são
alguns dos nomes que dão entrevistas falando sobre Allen.
Impressões:
Adorei o documentário dirigido por Robert B. Weide. Apesar de gostar muito dos filmes do Woody e
dos diálogos, que considero geniais, não conhecia a biografia. Há diversos
momentos da carreira dele que descobri vendo o documentário biográfico. O cara
é de fato surpreendente e admirável. O filme foi lançado neste mês (julho), mas
foi exibido no Festival de Cannes 2012 (ano de produção). Assisti no Cine
Estação (Botafogo). Duração: 1h53min.
Coco Avant Chanel
Sinopse:
Quando criança Gabrielle (Audrey Tautou) é deixada, junto com a irmã Adrienne
(Marie Gillain), em um orfanato. Ao crescer ela divide seu tempo como cantora
de cabaré e costureira, fazendo bainha nos fundos da alfaiataria de uma pequena
cidade. Até que ela recebe o apoio de Étienne Balsan (Benoît Poelvoorde), que
passa a ser seu protetor. Recusando-se a ser a esposa de alguém, até mesmo de
seu amado Arthur Capel (Alessandro Nivola), ela revoluciona a moda ao passar a
se vestir costumeiramente com as roupas de homem, abolindo os espartilhos e
adereços exagerados típicos da época.
Impressões: O filme narra a história da Gabrielle Bonheur
Chanel, antes de se tornar a grande estilista, conhecida como Coco Chanel. Audrey Tautou, uma das minhas atrizes
preferidas, interpreta Chanel na fase adulta. A produção é boa, mas eu esperava
mais. O filme é de 2009 e tem 110 minutos. Para quem curte o mundo da moda e a
biografia de grandes estilistas é uma boa dica.
Yves Saint-Laurent
Sinopse: Paris, 1957. Com apenas
21 anos, Yves Saint-Laurent (Pierre Niney) é chamado para cuidar do futuro da
prestigiosa grife de alta costura fundada por Christian Dior - falecido
recentemente. Depois de seu primeiro desfile triunfal, ele vai conhecer Pierre
Bergé (Guillaume Gallienne) e este encontro irá abalar sua vida. Amantes e
parceiros de trabalho, os dois se associam a fim de criar a grife Yves Saint
Laurent. Apesar de suas obsessões e demônios interiores, Saint Laurent vai
revolucionar o mundo da moda com sua abordagem moderna.
Impressões: Gostei do filme e
adorei o ator que interpreta o Yves Saint-Laurent, Pierre Niney . O longa não
seria bom sem a excelente atuação e entrega de Niney.
Assim como o Coco avant Chanel, o
filme biográfico é bem interessante para os amantes da moda e interessados pela
vida e trajetória de estilistas famosos. Yves era muito jovem quando deixou seu
país ( Argélia) para se dedicar à Moda em Paris. Com a morte de Dior, assumiu a
grife, mesmo com toda a sua timidez e
dificuldade de se expressar. Em “Yves Saint-Laurent” temos a síntese da vida do
estilista , pouco fala-se na obra. O
filme narra um Laurent extremamente perfeccionista e depressivo; um homem que
abusava das drogas para fugir da realidade ou para liberta-se de um passado e
pessoas que o oprimiam. O longa também conta a história de amor vivida por Yves
e seu marido Pierre Bergé, que no filme é interpetado por Guillaume Gallienne.
Candy
Sinopse: Candy (Abbie Cornish) é uma jovem e
talentosa pintora, enquanto que Dan (Heath Ledger) é um promissor poeta. Eles
se apaixonam assim que se conhecem, divindo também a dependência por heroína.
De início Candy e Dan sentem viver no paraíso, mas a falta de dinheiro faz com
que eles retornem à realidade. Candy torna-se prostituta, com o consentimento
de Dan. Para afirmar sua união eles decidem se casar, mas a dependência das
drogas afeta cada vez mais sua felicidade. Até que Candy, cansada de viver no
caos, decide se internar em uma clínica de reabilitação e largar de vez as
drogas. Só que ela não esperava a reação que sua atitude provocaria em Dan.
Impressões: O filme australiano dirigido por Neil
Armfield é um romance dramático. Confesso que vi pelo maravilhoso Heath Ledger
e não pela sinopse ou trailer. A história não nos apresenta nada de novo sobre
ou universo dos dependentes químicos. Em síntese, fazem de tudo para conseguir
comprar drogas: de venda de objetos à prostituição.
Temos dois artistas, ou seja, duas pessoas
sensíveis que desejam mas não conseguiram viver da arte. Na verdade, o vício anula a vontade de
tentar. Uma pintora e um poeta presos numa vida caótica e de perdas. Ambos têm
problemas com os pais, mas o filme não explora muito o universo familiar deles,
principalmente o de Dan. Senti que faltou essa informação no longa. Ótimas
atuações. Abbie Cornish foi muito melhor no papel de dependente químico que Heath
Ledger.
Um beijo
Renata Ferreira
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quinta-feira, 9 de julho de 2015
Leitores Famosos: a leitora Marilyn Monroe e o poema de António Ramos Rosa
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,
branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
Poema de António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
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sexta-feira, 19 de junho de 2015
Alexander Yakovlev: a poesia corporal captada no instante fotográfico
Fotografia
e Dança são amores antigos. Ver um trabalho cuja união da segunda e da oitava
arte se completam me dá um prazer inenarrável. Um desejo de compartilhar minhas
impressões singelas e descobertas com todos. Contagiá-los, ou melhor tentar, já que é
impossível escrever o que sentimos. No que concerne à arte, então, é mais
complicado ainda. Não há teoria da arte que traduza uma experiência estética.
O
fotógrafo russo Alexander Yakovlev conseguiu unir a Fotografia e a Dança de
forma rica e singular, num ensaio fotográfico brilhante. Registrou movimentos, que
nos palcos são executados com rapidez e com uma sutiliza ímpar, própria dos
deuses bailarinos. Às vezes, são tão
rápidos que nosso olhar não capta toda a beleza e perfeição desses corpos que
são verdadeiras obras de arte.
Dança
e fotografia são para mim poesia pura, enquanto aquela é um poema registrado em
cada movimento [poesia corporal], esta é a experiência poética do olhar e do
coração registrada numa imagem.
A
dança assim como a poesia ultrapassa a fronteira da expressão artística. Há um
poema do maravilhoso Carlos Drummond de Andrade cujos versos tentam externar o
que é a dança. O poema é intitulado A
dança e a alma, e cabe perfeitamente na minha tentativa de expor meus
sentimentos.
A dança?
Não é movimento
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural
No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança- não vento nos ramos
seiva, força, perene estar
um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...
Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser
por sobre o mistério das fábulas
E o que dizer da fotografia.
Melhor não dizê-la. Permita-se senti-la. Admire e agradeça aos fotógrafos que
fotografam com o coração e a com alma. Bresson estava mais do que certo quando
disse que “Fotografar é colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o
coração”. Enxergar com o coração e clicar é divino, olhar para uma fotografia e
sentir a imagem, o fotógrafo e o instante, é ser humano. Sejamos, humanos.
Voilà as imagens!
Quer
conhecer mais sobre o trabalho do fotógrafo Alexander Yakovlev? acesse o site ayakovlev.com, Facebook
Espero que tenham gostado
Um Abraço!|
Renata Ferreira
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