Para os que curtem a literatura do medo: Literatura Fantástica. Fica a dica: Antologia da Literatura Fantástica. Estou muito feliz com a aquisição. O livro é lindíssimo, a COSACNAIFY caprichou!! Vontade de devorar, "um comer com os olhos".
" Antigas como o medo, as ficções fantásticas são anteriores às letras.As assombrações povoam todas as literaturas: estão no Avesta, na Bíblia, no Livro das mil e uma noites. Talvez os primeiros especialistas no gênero tenham sido os chineses".
Assim começa o prólogo, escrito por Adolfo Brioy Casares. Bem escrito, sintetiza a história, algumas técnicas e elementos da narrativa fantástica, como por exemplo: o ambiente e atmosfera; a surpresa; "o quarto amarelo" e o Perigo amarelo; argumentos em que aparecem fantasmas; viagens no tempo; dentre outros.
O livro foi organizado por Casares, Jorge luis Borges e Silvina Ocampo.
"Numa noite de 1937, ao conversar sobre ficções fantásticas, três amigos – Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Silvina Ocampo – resolveram criar uma antologia com seus autores preferidos. Três anos depois, foi lançada a Antologia da literatura fantástica, consolidada em sua edição definitiva 25 anos depois, obtendo enorme sucesso não só de estima como de público. Do filósofo Martin Buber ao explorador Richard Burton, passando pela tradição dos contos orientais, além de Cortázar, Kafka, Cocteau, Joyce, Wells e Rabelais, são 75 histórias – não só contos, como fragmentos de romance e peças de teatro - que nos apresentam uma literatura marcada pelo imaginário e por um modo diferente de representar a realidade".
Segundo Susan Sontag no livro Diante da dor dosoutros, a iconografia do sofrimento tem uma longa linhagem. Os
sofrimentos mais comumente considerados dignos de serem representados são
aqueles tidos como frutos da ira, divina ou humana.(SONTAG, 2003, p.37). Sabemos que ignorância e
preconceito são armas mortais, e os portadores dessas armas (humanos nada
humanos) são capazes de despertar muito sofrimento, mas que isso, são capazes
de matar.
Dia 24 de fevereiro de 2014, Yoweri Museveni,
presidente da Uganda, promulgou uma lei que trata a homossexualidade como
crime, com possível punição de prisão perpétua. No mesmo dia, foi divulgada uma
lista com o nome de 2OO homossexuais. Lista essa, que foi reproduzida no jornal
Red Pepper , e em sua capa a chamada “EXPOSED!”
As duas notícias, acima, são capazes de
despertar muito sofrimento, muita indignação, e muita dor. Mas, como tristeza
não tem fim, ontem , dia 27 de fevereiro, uma FOTO(abaixo) foi compartilhada
por muitos na internet; a imagem é chocante, triste e desumana. Um homem é
queimado vivo.
Percebemos
que a cena tem plateia: crianças e adultos. Observei a imagem por tanto
tempo, tanto tempo que não saiu da memória; senti uma tristeza tão grande, que
precisava escrever, não só para expressar a dor, mas para reproduzir a
imagem, e tentar conscientizar pessoas nada conscientes. E nesse momento,
estou falando de pessoas que estão aqui (pertinho), pessoas do
meu convívio, amigos de amigos, conhecidos, brasileiros que exalam
preconceito, que fedem como carne podre, carne que somos obrigados a engolir, e
nos fazem morrer de ingestão a cada dia.As pessoas na foto observam, não
o homem, mas o fogo o queimando. Estáticos, parecem ver uma foto, assim
como nós, parecem estar distantes daquela realidade, do fato. Voyers, mesmo
diante da dor alheia, mesmo quando a dor alheia é esfregada na face.
“Um
horror inventado pode ser completamente avassalador(...)Mas, além de choque,
sentimos vergonha ao olhar uma foto em close de um horror real” (SONTAG,
2003.p38), pois nada podemos fazer. Será que não podemos mesmo? Será que essa
realidade, realmente, é tão distante da nossa? Será que você nunca presenciou
um preconceito? Será que se recorda das pouquíssimas vezes que nossa mídia divulgou
a violência, fruto de preconceitos? Será que não somos tão culpados quanto
esses ignorantes? No fundo, somos tão inertes quanto aqueles que sentiram
o fogo que queimava aquele homem.
Esse
corpo não representa somente o ato desumano, o preconceito dos ignorantes, a
violência, a ausência de voz, de liberdade, de direitos humanos. Esse corpo que
queima e sofre é afirmação, é contestação, é emancipação. Esse homem, que agora
é cinzas, nada mais pode fazer, mas é capaz de despertar muitas reflexões, e lutas
para aqueles que não são cegos.
Então,
olhemos essa foto, não esqueçamos dessa imagem. Devemos encarar a foto e a
realidade. Vivemos num país que já deu provas do quanto é preconceituoso.
Lidamos com pessoas ignorantes e violentas, com pessoas más, com
fanáticos religiosos, com justiceiros, com políticos bizarros e imbecis, com
uma corja que nos enoja.
“Dentro
de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos” (Saramago)
Quem
se atreve a me dizer do que é feita a Hipocrisia e a arrogância?
Acredito
que todos são capazes de dizer do que são feitos esses sentimentos, dizer o que
são, e apontar mil pessoas hipócritas e arrogantes. Certo?
E, então quem se atreve a me dizer que é
hipócrita e arrogante? [Um silêncio]
Acredito
que poucos, pois no fundo somos covardes, e vivemos numa sociedade onde
criticar o outro é uma ação, quase que automática; um jogo de apontar o dedo sem
hesitar; um jogo de apontar o dedo sem provas; ou ainda, um jogo de apontar o
dedo por puro preconceito e ignorância, ou mais, um jogo de apontar o dedo
simplesmente porque criticar o outro em redes sociais e na vida virou moda, e
ganha-se curtidas. Mas, assumir sentimentos como esses, não. Ninguém admite.
Ouvimos
discursos hipócritas todos dias, e somos hipócritas e arrogantes sempre que nos
convém, porém admitir é uma tarefa muito difícil, quase impossível.
Somos
obrigados a ouvir críticas que na verdade são reflexo do criticador.
Vemos
e ouvimos tantas barbaridades de humanos nada humanos.
Nos tornamos hipócritas para lidar com outro
hipócrita? Nos tornamos arrogantes para lidar com outro arrogante? ou será que
simplesmente somos iguais a eles? Somos semelhantes?
Homo
sum, humani nihil a me alienum puto(Sou homem: nada do que é
humano me é estranho). Essa frase é de autoria de Publio Terêncio Afro,
dramaturgo e poeta romano, e resume bem o que estou falando. As pessoas são
hipócritas todo o tempo, mentem para si e para o outros. Não admitem ser
contrariadas, são arrogantes e só sabem julgar o erro do outro, porém agem da
mesmíssima forma, já que enquanto humanos e da mesma espécie somos iguais, possuímos
os mesmos sentimentos. E mesmo assim estranhamos os sentimentos "alheios", as
escolhas...estranhamos o que não é estranho, ou pelo menos não deveria ser.
Encantador.
Essa é uma ótima palavra para definir Moonrise Kingdom, mesmo sabendo que não
há palavras ou resenha que definam a poesia de Wes Anderson. Narrativa
psicológica e para adultos, com elenco infantil. Nem completamente alegre, nem
completamente triste.
É
um desses Filmes excêntricos, cuja vontade é levar os personagens para casa. A
história acontece nos anos 60. Cenário: uma ilha localizada na costa da Nova
Inglaterra. Os apaixonados Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward) se
conheceram no teatro, local adequadíssimo para esses que não suportavam a
realidade vivida. Suzy atuava e Sam era o espectador. Tornaram-se amigos.
Num
diálogo epistolar, Sam e Suzy conversaram durante um longo período, a distância
não foi empecilho para amizade e paixão, ao contrário, as correspondências
foram valiosas: desabafos, confidencias e afinidades; ambos são deslocados,
considerados loucos e problemáticos.
Decidiram
fugir juntos, o objetivo era obvio: viver livremente, viver como os adultos
hipócritas da cidade não conseguiam. O detalhe é que esses apaixonados e
apaixonantes têm apenas 12 anos de idade.
Encontro marcado, fuga planejada, percebem cedo que a vida pode ser
simples. Acompanhar a fuga do casal [sim eles se casam] é desvendar novos
caminhos e uma história inesquecível. Na mala de Suzy livros, muitos livros e
uma vitrola. Já a de Sam, bom escoteiro, todos os apetrechos para
sobrevivência.
Sam é órfão e Suzy não tem um bom
relacionamento com os pais. Faltava-lhes AFETO e compreensão. Juntos formam um
casal sincronizado. O filme não traduz apenas o universo dos pré-adolescentes,
o foco maior é o universo dos adultos, a crítica aos “maduros” é evidente.
Averiguamos como temáticas: os traumas
familiares, as angústias, o primeiro amor, os sonhos idealizados e vividos; a
vida hipócrita dos adultos, as questões psicológicas, e ainda questões
delicadas como adoção.
As
cenas são perfeitas, assim como cenários e trilha sonora. Filme com muitas
crianças, porém para adultos que apreciam cinema de verdade e de qualidade.
MOONRISE KINGDOM - Trailer HD Legendado
Françoise Hardy - "Le Temps
de l'Amour"
Trilha sonora: 1- Leonard Bernstein & The
New York Philharmonic - "The Young Person's Guide to the Orchestra, Op.
34: Themes A-F"
2- Peter Jarvis and His Drum
Corps - "Camp Ivanhoe Cadence Medley"
3- English Chamber Orchestra,
Benjamin Britten - "'Playful Pizzicato' from Simple Symphony, Op. 4"
4- Hank Williams -
"Kaw-Liga"
5- Trevor Anthony, Owen
Brannigan, David Pinto, Darian Angadi, Stephen Alexander, Caroline Clack,
Marie-Therese Pinto, Eileen O'Donovan, Chorus of Animals, English Opera Group
Orchestra, Merlin Channon, Norman Del Mar - "Noye's Fludde, Op. 59: 'Noye,
Noye, Take Thou Thy Company'"
6- Alexandre Desplat - "The
Heroic Weather-Conditions of the Universe, Part 1: A Veiled Mist"
7- Alexandre Desplat - "The
Heroic Weather-Conditions of the Universe, Part 2: Smoke/Fire"
8- Alexandre Desplat - "The
Heroic Weather-Conditions of the Universe, Part 3: The Salt Air"
9- Choir of Downside School,
Purley, Emanuel School Wandsworth, Boys' Choir, London Symphony Orchestra,
Benjamin Britten - "A Midsummer Night's Dream, Act 2: 'On the Ground,
Sleep Sound'"
10- Hank Williams - "Long
Gone Lonesome Blues"
11- Leonard Bernstein & the New York Philharmonic - "Le
Carnaval des Animaux: 'Volière'"
12- Françoise Hardy - "Le
Temps de l'Amour"
13- Alexandra Rubner,
Christopher Manien - "An die Musik"
14- Hank Williams -
"Ramblin' Man"
15- Choir of Downside School,
Purley, Viola Tunnard, Benjamin Britten - "Songs From Friday Afternoons,
Op. 7: 'Old Abram Brown'"
16- Alexandre Desplat -
"The Heroic Weather-Conditions of the Universe Parts 4-6: Thunder,
Lightning, and Rain"
17- David Pinto, Darian Angadi,
Stephen Alexander, Owen Brannigan, Sheila Rex, Caroline Clack, Marie-Therese
Pinto, Eileen O'Donovan, Patricia Garrod, Margaret Hawes, Kathleen Petch,
Gillian Saunders, Trevor Anthony, Chorus of Animals, English Opera Group
Orchestra, Merlin Channon, Norman Del Mar - "Noye's Fludde, Op. 59: 'The
Spacious Firmament on High'"
18- Trevor Anthony, Chorus of
Animals, Sheila Rex, David Pinto, Darian Angadi, Stephen Alexander, English
Opera Group Orchestra, Merlin Channon, Norman Del Mar - "Noye's Fludde,
Op. 59: 'Noye, Take Thy Wife Anone'"
19- Leonard Bernstein & The
New York Philharmonic - "The Young Person's Guide to the Orchestra, Op. 34
Fugue: Allegro Motto"
20- Choir of Downside School,
Purley, Viola Tunnard, Benjamin Britten - "Songs From Friday Afternoons,
Op. 7: 'Cuckoo!'"
21- Alexandre Desplat -
"The Heroic Weather-Conditions of the Universe, Part 7: After The Storm"
Um dos presentes que mais amo receber é música. Descobertas musicais
despertam em mim experiências estéticas que não saem da memória.
Segundo Adorno, cada obra de arte
é um instante; cada obra conseguida é um equilíbrio, uma pausa momentânea do
processo, e se manifesta ao olhar atento. Como estou falando de música, reformularei
a frase para ouvido atento.
No instante em que ouvi o som do Guardia Nova (Indicação da pessoa mais sensível
desse mundo), fiquei encantada, não apenas com os versos poéticos, mas com o
conjunto da “obra” e seu equilíbrio. Estou falando de equilíbrio musical como sinônimo
de música boa.
'Guardia Nova' é formada por Jan Pablo e Cavalcante Veras. Os caras são bons de fato, fazem música de verdade e são brasileirinhos (piauienses).
Lembrei do equilíbrio dito por Luiz Tati. Esse define canção, como Malabarismo
entre melodia, harmonia e letra. E é dessa forma que defino Guardia nova. E
quem venham novos trabalhos.
A
banda possui um EP (2011), intitulado “Guando chegar”. Esse disco marcou o início da
parceria dos integrantes da banda Trinco com Cavalcante Veras, dando origem à
Guardia Nova. Foi gravado e produzido por Jan Pablo, Cavalcante Veras, Hugo Trincado
e Dmitri Petit.
Já o primeiro LP da Guardia, foi gravado em 2013 com produção de
Jan Pablo e Cavalcante Veras, com exceção a "Melvin Jones" produzida
por Dmitri Petit e Jan Pablo. Todos os instrumentos presentes no disco foram
tocados e programados por Cavalcante Veras, Dmitri Petit e Jan Pablo.
Participação especial de Bruno Marques na bateria de "Setenta e Seis"
e Makeh(Violante) na voz de "Vestida de Branco".
Com
um processo de divulgação ainda tímido, na internet encontramos as seguintes informações:
"A gente se conheceu em 2011, dali em diante as identificações foram tantas, que só nos restou parir, desnudar o peito e deixar você ver-ouvir. Cantamos a dança, cantamos os cantos por quais passamos, esse enternecimento, os desamparos, cantamos o sol, a noite por cima das casas e cantamos o mar, pra ver se ele quebra bonito na praia dessas crias". A Guardia.
Setenta e Seis
De nós, quem vai durar?
Passar pelos setenta e seis
Quem vai passar a mão nos olhos do tempo?
Nós dois, não sei
Menina, mal começamos
Mas se for contigo, eu digo: oba!
Vem, vem que nossa verdade não tarda a chegar
Uh, estampei na camisa a cara dela
Vem, vem do jeito que queira, só não demora
Mora aqui, se quiser
Deixa tudo beleza
A luz acende a nos incendiar
A voz que canta a iluminar
Vamos sambando, bambos, rua abaixo
Pela quadra setenta e seis
Quem vem comigo nessa hora
Pergunto agora: será você?
Vem, vem que nossa verdade não tarda a chegar
Uh, estampei na camisa a cara dela
Vem, vem do jeito que queira, só não demora
Mora aqui, se quiser
Deixa tudo beleza
Resolvi pensar nas coisas, não apenas em coisas, mas em todas as coisas. Coisas lembram-me pessoas, palavras, sentimentos, eu... Sou uma coisa egocêntrica. Sou uma casa composta por coisas boas e ruins. Sou e não sou. Às vezes, nada sou, nem coisa, nem casa. Às vezes só componho a casa. Sou janela, Sou porta, Sou parede, Sou tinta, Sou chão, Às vezes nem poeira sou. Talvez seja só sentimentos, memórias.... Uma construção abandonada por mim . Uma coisa egoísta . Talvez seja outra coisa. Seja uma coisa nova. Uma prova. Ou mesmo algo que renove ou inove. Um cômodo a construir.
Procurava o retorno. Não encontrava suas raízes em nenhuma parte. Tinha medo do “corpo a corpo com a vida”, do corpo a corpo com a realidade nua e crua. A sensação era sempre a mesma, de angústia e de incompletude. Descrevia sua vida como uma viagem circular. Nada mudou. Estava desesperado com a impossibilidade de encontrar a felicidade. Estava na fase de encontrar culpados: culpados pela sua tristeza, culpados pela sua falta de tempo, culpados pela sua falta de coragem, culpados pela sua melancolia. “Uma melancolia que não sai”. Estava na fase de compreender: compreender por que seus valores e suas crenças, que antes eram tão sólidos, hoje, eram traduzidos por um sentimento: a inconsistência. Queria o espaço confortável, queria fugir da “verdade”, não a aceitava. Começava sua viagem pelo caminho das lembranças (das boas lembranças). Um viajante contemporâneo, numa estrada sinuosa, mergulhado na ‘tragédia’ que definia como a tragédia da contemporaneidade. Em cada época mascarou seus sintomas, mas nunca admitiu a Doença. A estrada das lembranças é mais dolorosa, mesmo quando boas. E, “sem conseguir encontrar dentro de si o ponto pior de sua doença, o ponto mais doente” , começou sua viagem sem volta.